segunda-feira, 19 de julho de 2010

quando ela é muita, cai pelos olhos.


Saudade... O que é saudade? O que nos faz sentir saudade? Para que sentir saudade? Saudade me faz lembrar ausência, lembranças, momentos, distância. Ausência de alguém que está longe, que não vejo a um ano, dois, talvez, Ausência de alguém que está perto, de corpo presente e alma distante. Lembranças boas, pois se fossem ruins não ia sentir saudade. Lembrança daquele beijo marcante, do último beijo. Lembrança do um toque, do carinho, do olhar, do último olhar. Lembrança daquele sábado à noite, deitados no sofá da sala vendo um filme que nem se quer lembro o nome, mas que foi o melhor filme da minha vida. Momentos, “aqueles” momentos. De choro? Pode ser. Choro de felicidade, choro de vitória. Isso trás saudade. Distância, eis a palavras que mais trás saudade. Quem não tem um amigo de infância que mora longe? Ou um amor antigo que está a quilômetros? Distância lembra separação, afastamento. Palavra que só de ouvir dói... distância, um dos principais motivos da saudade. Um cheiro, uma música, uma foto, palavras, uma comida, dia de sol ou de chuva, o modo de olhar, um sorriso aberto, o tom da voz, o toque da pele, o beijo, uma cor, isso me faz sentir saudade. Lembrar de tudo isso, acompanhando com a lembrança dos momentos com alguém, me faz sentir saudade. Saudade, saudade, saudade... Sinto saudade, estou com saudade, tenho saudade, respiro saudade. Saudade de uma, duas, três horas atrás. Saudade daquele dia ensolarado e frio, no começo da semana passada, foi à última vez que te vi. Saudade. E quem foi à maldita criatura que inventou essa tal saudade? Para que isso? A saudade foi feita apenas para torturar, para machucar, para entediar? Ou tem algum significado benéfico? Pois até hoje, eu não achei nenhum. Parei para pensar o que faz sentir saudade e até achei uma resposta, não muito convincente e nem muito agradável, pois tudo faz sentir saudade. Alguns longos exemplos: tempos de escola; amigos que foram embora, ou aqueles que a vida afastou; família; amores de todos os tipos, longos, curtos, correspondidos ou não, amores de hoje e de ontem, esquisitos ou normais; saudade daquela música que nunca mais escutei ou daquela voz... se fosse citar tudo aquilo que me faz ou trás a saudade, passaria horas e horas aqui, pois a vida é uma saudade. Tenho saudade da infância, do começo da adolescência e daqui uns anos terei saudade do final dela. Saudade é algo que se pensarmos bem, confunde. Saudade ou falta? Falta trás saudade. Saudade busca suprir a falta. Saudade ou lembrança? Saudade trás as lembranças. Lembranças trás a saudade. Pensando bem, saudade não poderia ser escrita assim. Teria que ser saldade, com L mesmo. Que vem de sal, de salgado, de ardência. Sal arde se colocarmos em contado com as feridas abertas. Saudade abre as feridas e as machuca, as faz arder, faz doer. E o pior que ela irá me acompanhar, te acompanhar, nos acompanhar até o final das nossas vidas e quanto mais vivemos, maior ela irá ficar. Entre tantas palavras tentando conceituar saudade, chego a conclusão que não há expressão, palavra ou frase se quer, que consiga traduzir o sentimento de quem sente saudade de verdade. Saudade dá um vazio, uma tristeza, faz cair lágrimas, faz sofrer, nos faz amar mais, é angustia, desespero, é espaço, é dor e sabe-se que quando ela é muita, cai pelos olhos.

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